Receber um diagnóstico de câncer levanta dezenas de dúvidas — e uma delas aparece com frequência: "Preciso fazer um teste de biomarcadores?" A resposta não é simples, porque depende do tipo de tumor, do estágio da doença e dos tratamentos disponíveis para aquele caso específico.
Por isso, entender o que são esses exames, para que servem e quando o oncologista os solicita ajuda o paciente a participar de forma mais ativa das decisões sobre o próprio tratamento.
O que é um teste de biomarcadores?
Um teste de biomarcadores analisa características moleculares do tumor — como mutações genéticas, proteínas alteradas ou outras marcas biológicas presentes nas células cancerígenas. O objetivo é identificar alvos específicos que possam guiar a escolha do tratamento mais eficaz para aquele caso.
Esse exame é realizado, geralmente, a partir do tecido obtido na biópsia. Em alguns contextos, também pode ser feito por meio de uma biópsia líquida, que analisa fragmentos de DNA tumoral circulante no sangue.
Biomarcador, marcador tumoral e teste genético: são a mesma coisa?
Não — e essa confusão é muito comum. Os marcadores de câncer (ou marcadores tumorais), como CEA, CA 125 e PSA, são proteínas dosadas no sangue que ajudam a monitorar a resposta ao tratamento ou a recorrência da doença. Eles não identificam mutações específicas e, isoladamente, não confirmam diagnóstico.
Já o teste de biomarcadores vai além: ele mapeia alterações moleculares dentro do próprio tumor para identificar se há mutações que respondem a terapias específicas, como a terapia-alvo ou a imunoterapia para câncer.
O teste genético hereditário, por sua vez, é diferente dos dois. Ele investiga o DNA do próprio paciente — não do tumor — para verificar mutações herdadas, como BRCA1 e BRCA2, que aumentam o risco de desenvolver certos cânceres. Esse exame tem indicações próprias e não substitui os exames tumorais realizados no tecido do câncer.
Quando o teste de biomarcadores é indicado?
A indicação varia conforme o tipo e o estágio do tumor. Em alguns cânceres, os exames tumorais moleculares já fazem parte do protocolo padrão de investigação. Em outros, são solicitados apenas em situações específicas.
No câncer de pulmão, por exemplo, a pesquisa de mutações como EGFR, ALK e ROS1 é praticamente universal, pois existem terapias-alvo altamente eficazes para cada uma delas. No câncer de mama, a avaliação de HER-2 e receptores hormonais define se o paciente pode se beneficiar de terapia-alvo para câncer de mama ou de tratamento com hormonioterapia. No câncer de cólon e reto, mutações em RAS e BRAF influenciam diretamente a escolha dos medicamentos.
Por outro lado, em tumores de estágio inicial com tratamento cirúrgico resolutivo, o teste de biomarcadores pode não ser necessário — ou ter indicação restrita. A decisão sempre parte de uma avaliação clínica individualizada.
O papel dos biomarcadores na oncologia individualizada
A oncologia individualizada representa uma mudança profunda na forma de tratar o câncer. Em vez de protocolos iguais para todos, o oncologista passa a considerar o perfil molecular do tumor de cada paciente para escolher o tratamento com maior chance de resposta e menor toxicidade.
Nesse contexto, os marcadores de câncer moleculares são ferramentas centrais. Eles permitem, por exemplo, selecionar quem pode se beneficiar de imunoterapia — como nos casos com alta instabilidade de microssatélites (MSI-H) — ou identificar mutações raras que abrem acesso a terapias inovadoras.
Segundo dados publicados pelo Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos (NCI), o uso de biomarcadores já transformou o prognóstico de vários tipos de tumor, especialmente nos cânceres de pulmão, mama e colorretal.

Dúvidas frequentes sobre o teste de biomarcadores
O teste precisa ser feito antes de iniciar o tratamento?
Nem sempre, mas em muitos casos sim. Quando há terapias-alvo disponíveis para aquele tumor, o resultado do teste de biomarcadores pode definir o melhor esquema desde o início.
O plano de saúde cobre esse exame?
A cobertura varia conforme o plano e a indicação clínica. O oncologista pode orientar sobre como solicitar a cobertura corretamente.
E se o resultado não mostrar nenhuma mutação?
Isso não significa que não há tratamento. Significa que outros tratamentos oncológicos, como quimioterapia convencional, podem ser a melhor opção para aquele caso.
Oncologia moderna com avaliação individualizada

Decisões como solicitar ou não um teste de biomarcadores fazem parte de uma abordagem oncológica atualizada e centrada no paciente. O Dr. Daniel Musse é oncologista clínico com formação pelo Instituto Nacional do Câncer e atuação como pesquisador do Instituto D'Or, oferecendo atendimento em Botafogo, na Barra da Tijuca e na Tijuca. Acompanhe conteúdos sobre oncologia descomplicada no Instagram e no Canal do YouTube.
