Quando o assunto é crioterapia, muitas pessoas imaginam uma técnica simples ou alternativa. Na prática, porém, trata-se de um procedimento médico que utiliza temperaturas extremamente baixas para destruir células tumorais — e que, em situações específicas, pode integrar o planejamento terapêutico de alguns tipos de câncer.

Porém, assim como ocorre com as demais terapias oncológicas, a crioterapia não é indicada para todos os pacientes nem para todos os tumores. Entender quando ela pode ser considerada exige uma avaliação cuidadosa e individualizada por parte do oncologista.

O que é crioterapia e como ela funciona

A crioterapia — também chamada de crioablação — consiste na aplicação de agentes criogênicos, como o nitrogênio líquido ou o argônio, diretamente sobre o tecido tumoral. O congelamento provoca a destruição das células cancerígenas por ruptura celular e interrupção do fluxo sanguíneo local.

O procedimento pode ser realizado por via percutânea, com orientação de imagem, ou durante cirurgias abertas. Em geral, é minimamente invasivo e pode ser repetido quando necessário. Ainda assim, sua eficácia depende de fatores como o tamanho do tumor, sua localização anatômica e o estadiamento do câncer.

Para quais cânceres a crioterapia pode ser indicada

A crioterapia tem uso mais consolidado em alguns contextos clínicos específicos. Veja os principais:

  • Câncer de próstata localizado: em pacientes selecionados, a crioablação da próstata é uma alternativa à cirurgia ou à radioterapia, especialmente em casos de recidiva local após radioterapia prévia.
  • Tumores renais pequenos: em pacientes com câncer de rim em estágio inicial e com contraindicação cirúrgica, a crioablação pode ser considerada como tratamento ablativo.
  • Metástases hepáticas e pulmonares: em situações de oligometástases — número reduzido de lesões — a crioterapia pode ser parte de uma estratégia de controle local, combinada a outros tratamentos sistêmicos.
  • Câncer de pele não melanoma: lesões superficiais, como carcinomas basocelulares em estágios iniciais, podem ser tratadas com crioterapia tópica em contextos selecionados.
  • Tumores ósseos: em casos de metástases ósseas ou tumores primários de baixo grau, a crioablação é estudada como opção para controle da dor e da progressão local.

Quando a crioterapia não é a melhor escolha

Apesar das aplicações descritas, a crioterapia apresenta limitações importantes. Tumores de grande volume, localizados próximos a estruturas vasculares ou nervosas críticas, ou em estágios avançados com disseminação sistêmica, geralmente não se beneficiam dessa abordagem isolada.

Além disso, o acesso à técnica e a experiência da equipe médica influenciam diretamente os resultados. Por isso, a decisão deve sempre envolver uma equipe multidisciplinar e considerar o contexto clínico completo do paciente — princípio central da oncologia individualizada.

Crioterapia combinada a outros tratamentos

Na prática clínica moderna, a crioterapia raramente atua sozinha. Em muitos casos, ela é associada a tratamentos para câncer como imunoterapia, terapia-alvo ou quimioterapia sistêmica, dependendo do tipo e do estágio do tumor.

Há inclusive estudos que investigam um efeito chamado "abscopal" — quando a destruição local do tumor pela crioablação potencializa a resposta imunológica sistêmica, especialmente quando combinada à imunoterapia para câncer. Esse campo ainda está em desenvolvimento, mas reforça o quanto a medicina personalizada em oncologia avança ao integrar diferentes estratégias.

Crioterapia contra o câncer: para quais tipos de tumor esse tratamento pode ser considerado? — O papel do oncologista na decisão pelo tratamento

O papel do oncologista na decisão pelo tratamento

Nenhuma técnica, por mais promissora que seja, substitui a avaliação clínica completa. O oncologista analisa o tipo histológico do tumor, o prognóstico do câncer, as condições clínicas do paciente e as opções disponíveis antes de qualquer recomendação.

A crioterapia é uma ferramenta valiosa no arsenal oncológico moderno — mas sua indicação precisa ser criteriosa. Segundo dados publicados pela American Society of Clinical Oncology, a seleção adequada do paciente é o principal fator associado ao sucesso das técnicas ablativas em oncologia.

Oncologia descomplicada com quem entende do assunto

Se você quer entender se a crioterapia ou outro tratamento oncológico personalizado pode fazer parte do seu caso, o Dr. Daniel Musse está disponível para uma avaliação individualizada. O consultório funciona em três endereços no Rio de Janeiro: Botafogo, na Barra da Tijuca e na Tijuca. Acompanhe conteúdos educativos também pelo Instagram e pelo Canal do YouTube, onde a oncologia é explicada de forma clara e acessível para todos.